Mostrando postagens com marcador adoção. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador adoção. Mostrar todas as postagens

15 dezembro 2014

"Não quero engravidar!"

   "Coisa melhor pra postar?"
   "Nããããããooooo!"

    Esse post vai ser algo bem pessoal, então se você não quiser ler, sinta-se à vontade pra não ler, porque não vai mudar nada na sua vida! Mas caso você também esteja numa situação semelhante à minha e não sabe por quê, eu posso ter aqui sua resposta!

   Começando: eu penso, sim, em ser mãe - mas não engravidando. De jeito nenhum quero engravidar, muito menos, ter vários filhos! No máximo 3, um 3 bem rasinho, não passaria disso!

   Apesar de a minha vida toda ter lidado com crianças desde que eu era propriamente uma criança até essa minha fase atual, o que já me faz saber sobre quase tudo o que uma criança precisa pra ser feliz (raspar panela de chocolate escondido e jogar bexiga pra cima já são bons exemplos), a verdade é que eu nunca desenvolvi bem o "instinto maternal".

   E se existem alguns fatores que de certa forma encaixam no quebra-cabeça, existem, sim! E muitas. dentre elas a minha personalidade, a minha criação dentro de casa e as minhas experiências. Calma aí que eu vou explicar o que cada uma dessas meras palavrinhas repercutiram nessa minha decisão:

   Personalidade

    O local onde eu cresci exigiu de mim um caráter leigo em relação a religião, por isso nunca fui de pensar muito em palavras como "pai", "filho", "espírito santo", mãe, família. Quero dizer, por causa da minha irreligiosidade, acabou que os meus ângulos sobre "família" diminuíram, e eu pensava mais no termo "namorar". O meu sonho desde pequena foi assim: crescer, ser bonita, namorar um cara e sermos felizes pra sempre viajando por aí - exato, nem tinha casamento no meio, haha! Eu sempre me portei de forma indiferente ao espírito biologicamente materno de ser, como se engravidar, nah, fosse um verbo inexistente no meu dicionário. Eu via aquelas meninas fingindo que suas bonequinhas eram suas filhas, e eu pensava comigo mesma: "elas têm PROBLEMA?" (Isso, desfrutem da sinceridade de uma criança pura e inocente.)

   Desde criança, meus anseios sempre foram materalistas. É, apesar de eu sempre ter sido muito subjetiva e tal, a minha felicidade alcançava patamares mais profanos. Ficava mais feliz quando a minha mãe comprava aquele sapato pra mim do que quando eu recebia a notícia de que um parente ia vir im casa. Desculpa se isso vai soar cruel, mas aqui a verdade é verdadeira mesmo. Ainda que eu almeje ser mãe, antes passar 3 anos viajando pela Europa num cruzeiro, saltando de paraquedas e indo ao cinema e à praia com o meu queridão todo final de semana, estando à vontade pra transar na cozinha, no banheiro, em todo lugar e toda hora, do que ficar 9 meses passando mal pra depois ficar em casa trocando fralda de bebê e acordando de madrugada com o maléfico choro de bebê de 2 em 2 horas enquanto mal tenho tempo pra dar amor pro meu boy, haha! Sinto muito mesmo, mas já sentia desde que eu estava na barriga da minha mãe que um picotinho de gente chupando meus peitos não é pra mim!


   Criação doméstica

   Enquanto garotas de 11 anos pegam um bebê no colo com o maior carisma, eu se quer peguei um bebê a minha vida inteira. Enquanto as menininhas brincavam de família, de cozinhar e de cuidar de boneca, eu tava lá jogando game com meus amigos. A palavra "mãe", pra mim, só servia para vocativo, mas nunca pra mim mesma. Até quando eu brincava de boneca, eu não via minha boneca como um bebê, eu via ela como uma adolescente que morava em um mundo maluco (acredite)! Resumindo, meu comportamento nunca chegou perto de dar indícios de que eu seria uma futura mãe, até porque as minhas melhores amigas de infância também não costumavam brincar com coisas semelhantes à prática da vida materna. Eu sempre brinquei mais com game e coisas neutras e radicais que gastavam o fôlego. Acho que eu já citei uma vez pra vocês que eu agia como menino, não? E eu gostava pacas!

   Eu fui criada numa família bem zen. Naquela época, eu já poderia ser considerada uma "transição" da visão retrógrada para a visão mais aberta, quando as pessoas pararam de fazer tantos filhos pra formar aquela família monstro. E eu acredito que o tipo de família na qual você foi criada reflete significativamente no seu modo de ver o mundo. É mais questão de "estar acostumado a ver". Se você cresceu naquela típica família humilde do interior que está sempre reúnida e que todo ano a cada 7 dos seus 20 primos têm um filho, você provavelmente vai querer ter um filho no futuro também. Dois, ou três. Ou cinco, talvez. Mas se você cresceu num local mais urbano e conviveu com uma família já um pouco mais "moderada" nesses termos, quando você já está no ápice do término do sobrenome da sua família, é muito provável que você não queira ter filhos. Pode acontecer de ser o contrário? Sim, pode, mas você não pode fugir da realidade de que o meio influencia o homem, nem que uma coisinha ou outra discerne da tendência naquele ambiente em evidência.

   Agora olhem: eu fui criada numa família que já tá quase acabando, sempre convivi com pessoas que prezam mais pelos prazeres materiais e individuais da vida do que com o prazer emocional de ter um bebê ao lado e nunca teve nenhum religioso propriamente dito na minha família. Sim, a religião repercute muito nessa questão da formação de uma família, basta comparar - quem casa mais? Religioso ou não religioso? E quem tem mais filhos? Religioso ou não religioso? Só que com aquela correria que sempre é em cidade grande, fera, ninguém tem tanto tempo pra ficar rezando, infeliz seja a verdade!


   Experiências

   Quando eu ainda era mais menina, eu costumava brincar com uma prima de 3º terceiro grau minha. Ela já era grande naquela época, lá pelos 20 e alguma coisa. Ela sempre foi muito legal, gostava de brincar, correr, criar, inovar, e eu sempre adorei ela! Só que chegou aquele dia estupendo em que estava no restaurante com os meus familiares e minha prima fez a noite: ela estava grávida. Minha mãe já me empurrou falando "olha que legal, Mika!" e eu só fiz aquele sorrisão torto dos irmão, falando "que legal!". Mas só saía "que legal" mesmo, estava opaca demais pra comentar qualquer outra coisa útil. Eu juro que eu tinha ficado tão triste que tive que segurar o choro comendo peixe. Parece meio incompreensível, mas não é, eu fiquei aborrecida por saber que dali em diante ela não teria mais tempo pra brincar comigo, e que, o mais aterrorizante de todos, eu teria uma nova criança pra brincar! É muito engraçado como às vezes os adultos acham que só porque a pessoa tem cara de criança, ela curte fazer bagunça com a meninada! (notas: eu tinha uns 13 anos quando isso aconteceu.)

   Como eu era esperta. Tudo aconteceu do jeitinho que eu tinha presumido naquela noite no restaurante. Mas ok, ela continuou uma pessoa legal e não liguei muito pro fato dela agora ter uma filha, que aliás, com 3 anos, sabe falar mais corretamente que você.

   Só comecei a perceber como a gravidez sempre se tornava um empecilho pras minhas familiares queridas quando, não há muito tempo, minha prima teve um filho. Não cheguei a acompanhar todo o processo e também nunca tivemos tanta proximidade igual ao que tenho com a minha prima de terceiro grau, mas ela era bem mais íntima de mim e da minha irmã quando ainda não tinha o filho. Por mais que eu saiba que elas não têm culpa, e que nem tudo gira em torno do meu nariz como azaleias ao vento, essas experiências me fizeram cada vez mais perder as pouquíssimas chances de engravidar pois eu tenho muitos "amiguinhos" menores que eu, até mais do que eu tenho da minha idade (aí eu chego nos 30 e ainda vou ter um amigo de 10 anos, pode apostar), e sei que perderia um pouco o meu tempo pra fazer palhaçada com eles. Não gosto eeeexatamente de crianças, mas gosto de brincar. Não sei. Sinto que eu não deveria perder o pouco da criança que eu tenho dentro de mim, tanto que eu agradeço muito por tê-la ainda. Sem o pouco do meu jeito imaturo de ser, não me sinto completa, e se eu engravidasse, sentiria como se estivesse me afastando dessa criança que ainda existe em mim. Não quero ser como um "adulto qualquer", que não tem tempo pra rolar no tapete, dançar como uma banana, que enganaria os filhos pra irem brincar com as outras crianças da festa de aniversário enquanto eu só sei ficar de papo com os outros adultos conversando sobre o IPTU e o azulejo da casa. Peraí...será que eu tô bugando vocês? Se eu bugay, foi mal! (ఠ్ఠ ˓̭ ఠ్ఠ)




   Sobre o meu jeito de ver o mundo, é simples: não vejo o fato de virar mãe como graaaande coisa na minha vida. Virar mãe não é um sonho tão grandioso assim como publicar um mangá, mas estou ciente de que mães são importantíssimas em nossas vidas, são seres divinos que vieram para nos mostrar a definição de amor \`•̀益•́´/ XABLAAAAAU (ou quase sempre.)

   Mas não vejo esse processo do barrigão como parte da ordem natural das coisas. Pra mim, a ordem natural é aquela que você nem ninguém não pode mudar e impedir, que é apenas: nascer e morrer. Pra mim, essa é a ordem natural das coisas. Se você vai engravidar, se você vai trabalhar, estudar, isso é de menos, porque nem todo mundo vai ter o mesmo estilo de vida que você. E vamos combinar, né, nascer e morrer é inevitável! Uma vez vivo, você já cumpriu a primeira etapa da vida: nascer. Mas você mal nasce, e você já está predestinado a morrer, seja por vontade própria ou à mercê do tempo.

    "Mas Mika, por que você não quer ter filhos engravidando, mas pensa em adotar?"

   Antes que pessoas venham me atirar pedras, se eu tivesse um filho vindo da minha barriga e tivesse um filho adotado, eu daria amor a ambos de forma igual, isso não há dúvidas. Mas o que difere da minha aspiração por adotar uma criança de ter um filho de sangue, é que quero compartilhar minhas condições de vida com uma pessoa necessitada. Um indivíduo que é adotado, em, tipo, 90% dos casos, sente-se como se sua vida já estivesse completa. Tipo, é uma família, gente! Digo por mim: aquela criança solitária no orfanato está precisando mais de amor do que um espermatozoide pronto pra entrar no óvulo. Aquela criança no orfanato já é viva. O da minha barriga, não.

   Pense, o filho vindo da barriga já nasceria nas melhores condições de vida, feliz e cheio de amor, mas ele não pediu por isso. Porque quem quis o gozo lá dentro da mãe não foi o filho, foram os pais. Mas aquela criança ou adolescente abandonado, expulso de casa ou no orfanato, poxa, ele que tá numa hora difícil e que a única coisa que pode estar pedindo é uma família pra dar e receber amor? Não que seja o seu caso ou do dele, mas pra mim, seria muito mais bem-vindo dar amor a um ser já existente que está numa situação de carência emocional, do que a um ser que não obrigou ninguém a vir ao mundo. Sem querer parecer insensível, claro.

    Citarei então dois motivos, os que mais se destacam por eu querer um filho adotado:

1: o mundo já está cheio de gente. Não está completamente ocupado, eu sei, mas quantas pessoas o mundo já não condenou? Já não basta ver aquelas pobres crianças, nos locais mais insalubres desse planeta, sofrendo? Trabalho infantil, escravidão (pois é, infelizmente ainda existe!), desnutrição, por que ninguém tenta tirar essas pessoas de lá? Tipo, vamos cuidar de quem tá vivo ainda!

2: Seguindo a linha de raciocínio acima, quero mostrar a essas pessoas que exteriormente parecem "já não ter mais solução", que há uma solução, sim. Que o mundo não é tão cruel quanto parece. Posso não ter muito do instinto materno, mas tenho um outro instinto que fala mais alto: o de ajudar.

   Eu juro, não tem nada, mas NADA mais gratificante pra mim do que ajudar uma pessoa, fazer alguém feliz. Pessoas felizes me fazem felizes. E por isso quero adotar. Não preciso necessariamente ter o sangue do meu filho pra poder amá-lo, pois genes são o que menos importam aqui.

   O meu objetivo de ser mãe ainda está passando por moderação, porque, por favor, sou jovem demais pra pensar nessas coisas. Eu pensando em ser mãe é a mesma coisa que uma criança de 4 anos pensando que faculdade vai cursar. Mas o que me faz querer adotar filhos não é o desejo de completar a casa, de parecer uma família do tipo propaganda de margarina e muito menos pra sair me gabando por aí que vou ganhar presente no segundo domingo de maio. Admito que essa possibilidade só passou pela cabeça quando eu comecei a descobrir mais sobre adoção homoparental - isto é, nem faz meio tempo!

   Acontece que comecei a ver vários vídeos sobre casais gays que adotaram e achei muito lindo. As palavras me emocionaram, e pensei, "deve ser bom ter uma família", até que eu comecei a tentar ver mais o lado gracioso de formar uma família, coisa que tantas pessoas admiram. Mas ainda é certo, criar uma família não é um sonho sólido, é um sonho rarefeito meu. A qualquer momento pode ser que eu desista da ideia. Porque você deve saber, ser mãe não é fácil não, é tipo uma junção de monitora de festa de aniversário de criança com aquela melhor amiga com quem você pode contar a toda hora. E eu tenho paciência para ambas as tarefas, sei brincar com crianças e adoro dar conselhos. Mas juntar as duas coisas? Difícil, gente!

   (Mas ainda tem outros motivos de eu não querer engravidar. Bem fúteis. Tipo, eu não quero parecer uma baleia azul na piscina! ;w;)

   Mas aqui, se você quer mesmo engravidar porque acha que é uma parte importante de você, ou porque seu sonho desde criança foi sentir como é ter um ser vivo dentro de você, ótimo, engravide, não é como se você estivesse automaticamente ligando um "foda-se" para aquelas crianças morrendo na Etiópia. Se você tem a convicção de que quer ter um filho de sangue, é porque você, com certeza, tem lá os seus motivos. Mas tem gente que não quer engravidar, e também por motivos.
"Ah, mas isso não soa meio...egoísta?" Ser egoísta não é fazer com que pessoas estéreis que querem engravidar se sintam mal enquanto você "descarta a sua fertilidade". São nesses casos que se pode recorrer à barriga de aluguel ou à inseminação in vitro.

   Caso você não queira ter filhos, nenhunzinho mesmo, ótimo também. Não deixe que a sociedade te esprema como limão só porque por você, como mulher, não quer fazer parte da onda de mommies. Tem gente que acha que ter filhos dentro de casa não são a perfeição do mundo. Mas animaizinhos de estimação, sim.

   Enfim, talvez eu tenha a habilidade pra ser mãe, mas não aquela vontade. Quem saiba eu mude de ideia com o tempo, nada nessa vida é realmente certo. Digo, ainda tá muito cedo pra eu ficar pensando nisso! Até parece que aqui virou blog daquelas mãezinhas adocicadas, caramba 눈_눈 (nada contra), então vai pra lá, ideia de ter família! 

   Ah, sim, ontem (15/12) foi o dia internacional do Otaku, não? Estava até indo fazer uma homenagem com o pouco dos meus rabiscos, mas não tenho muito ainda, então vou deixar essa pra depois! xD Obrigada por ler essa coisa meio desnecessária~