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07 fevereiro 2015

Por que muito relacionamento otaku é superficial

   Não, este não é um wikihow de como chegar na menininha otaku.

   Estou aqui pra falar de relacionamentos entre otakus, pessoas. Claro que, apesar de todos serem otakus, esse relacionamento varia pra cada um, tipo, tem uns que e outros que já levam esse jeito otaku de viver mais à sério.

   Muitos procuram estericamente por endereços onde se possam encontrar otakus para namorar. Se esse for seu caso, apenas lamento, haha! Sério, porque é meio triste saber que as pessoas se limitam àpenas a um "tipo" de pessoa para se relacionarem. Mando essa pra vocês: é improvável namorar uma pessoa que não tenha o mesmo hobby que o seu?

   Claro que as chances de haver aquela simpatia entre vocês são menores, mas serão menores ainda se a sua meta máxima é idolatrar o mundo dos mangás como se fosse uma prioridade na vida. É fato que se você for uma mina que fica soltando "nya's" por aí (por mais irritante que seja a alguns ಠ⌣ಠ) ou um boy que gosta de yaoi, você vai aguçar os sentidos de admiração dos otakus, e não dos de um homem no auge dos 50 com uma vida tradicionalmente vista como normal. A não ser que ele seja otaku também. Mas sendo assim, se assistir animes é uma prioridade pra você, então amar a pessoa ficaria pra segundo plano, não é mesmo? Se você optou por isso e não quer relacionar-se com ninguém, então ótimo, você não vai precisar se preocupar em perturbar nenhuma pessoa. O problema está quando o cara fica assistindo Jojo 24 horas e a parceira fica lá plantada no sofá esperando ser notada, ou quando a mina só quer saber de fazer cosplay e a única forma em que o namorado é visto é como um juíz particular de moda. É muito importante lembrar que amor não é resumido apenas e necessariamente à compatibilidade de interesses e à "ele deve aceitar o que eu gosto".

   Lembrando que eu não estou dizendo a que tipo de amor você deve obrigatoriamente acolher, como eu sempre digo, são apenas conselhos úteis da Mikota. Caso você busque um relacionamento com um otaku exatamente por isso, porque ele(a) é otaku, eu aconselho a rever seus conceitos, jovem, pois há uma grande chance de você cair em uma relação artificial. Não adianta ter mil acessórios e roupas de anime nem ser a gata """"""""""otome""""""""""" (¯\_(ツ)_/¯ ) mais moe do mundo; se você não apresenta apreço o suficiente para um relacionamento duradouro que não seja por conveniência, nem o melhor coslpay te salva. Porque eu acho que ninguém aqui quer terminar com a pessoa só porque ela não gosta tanto de animes quanto antes, né? Afinal, as pessoas também têm uma vida fora de seus computadores, e a vida de ninguém é só resumida a "otakuzar" por aí. Consideremos um pouco de bom senso nessa vida.

   Ou seja, entendam, ser otaku não é ruim, só é completamente diferente de quando é um otaku cuja vida só é baseada em idolatria e obsessão extrema por animes, mangás, games ou cultura japonesa em geral. Quando a pessoa pensa assim, é muito provável que ela leve o "otaku" do ser como uma qualidade, e não apenas como uma característica. Algo meio ilógico, porque ver um otaku do mesmo jeito que se vê uma pessoa boa é como afirmar que nenhum otaku pode trair, nenhum otaku prega ódio, que nenhum otaku pode ser um ignorante ou até assassino. Ou seja, é uma postura totalmente preconceituosa com quem não é otaku, coisa de quem vê otakus como pessoas superiores. É algo meio assim:

   "Tenho orgulho de ser otaku, me considero japonês por dentro, Brasil é uma merda, animes são vida, são a melhor coisa do mundo!"
   "Meldels, ela(e) é perfeita(o) ♥"

    Então.

    Hahaha, como não sou deus de ninguém pra falar o que cada um tem que fazer da vida, não tenho nada a declarar sobre essas espécies de comentário ( •˓◞•̀ ) Apenas levemos a vida!

Me diz por quê, cambada
   (Nota: não é sempre que isso acontece, então, por favor, não vamos generalizar!)

   A quem sabe se policiar e dividir seu tempo para entretenimento para coisas que realmente importam, de boas, isso não vai prejudicar. Mas a partir do momento em que seu namorado ou sua namorada prefere jogar game a ficar com você mesmo quando você pede, foi mal aí, mas você entrou numa furada com um viciado.

   O exagero é o foco de todo o problema. Digo isso porque eu não conseguiria, de jeito algum, ter um relacionamento saudável se o meu parceiro (mandando kissus pro Fabrízio) me amasse pelo que eu gosto, e não pelo que eu, por trás de uma camiseta de Durarara, sou. Afinal, um otaku continua sendo um indivíduo com sentimentos como qualquer outro, e é preciso respeitar o fato de termos uma personalidade primária antes das nossas características ditadas como de "fã de animes". Segurando um pouco o fio da meada dos posts abaixo, você seria capaz amar uma pessoa que coloca o anime favorito em primeiro lugar ao invés de você?

Eles tentam agradar, e ó o que acontece.
   Não sei vocês, mas pra mim, é bem mais constrangedor ser trocada por um personagem de anime do que viver com alguém que não gosta de animes. Então não tenham medo, caros colegas. Você namorando um cara ou uma garota que não convive com animes não vai fazer você passar automaticamente por uma transformação "de pessoa introvertida do clube de mangás" para "cidadão comum e sociável" estilo Sena Izumi. Você também não será motivo de xingamentos e gozações de seus amados, se eles respeitarem seus gostos e vocês, os deles. Sabe-se que cada um tem um modo próprio de viver e aproveitar a vida, e caso vocês sejam muito diferentes nesse quesito, é uma resposta muito simples: é só balancear! Que tal você não convidá-lo(a) para ver um anime que você gosta? E por que não aceitar aquela sugestão de sair um pouco de casa com ele(a) de vez em quando? Não vai matar, sem contar que serão mais experiências, só que agora compartilhadas! Ok, isso TÁ virando um wikihow! ( ͡ಠ ʖ̯ ͡ಠ) Por causa da convivência, pode ser que você acabe se tornando bem mais sociável do que quando era só você e os animus, mas não é como se tirar o mofo pra ver a luz do sol fosse algo ruim. Ou é?

   Pra vocês não acharem que só tô reclamando, saibam que uma coisa legal é que quando a pessoa tem um apego com algum interesse, ela até chega a ter um "tchan" a mais, ao contrário do que aconteceria se você fosse uma pessoa de hábitos comuns (que na vida, só come, estuda e trabalha). Digo, um otaku pode ter, sim, lá seus charmes, assim como uma atleta apaixonada pelo esporte, assim como um cara que é foda na guitarra. Há grandes chances de você ter alguma credibilidade a mais num relacionamento por isso (não estou dizendo que quem não tem um hobby vai ter uma relação pior), porque vai ser bem difícil pra vocês caírem naquela assombrada rotina tediosa. Resumindo, você tem conhecimento sobre uma coisa que a maioria das pessoas não têm, e não há nada mais interessante do que poder conversar com alguém que é expert em um determinado assunto pouco conhecido, ou, que tem alguma cultura a mais na "veia". Se a pessoa te amar de verdade mesmo não sabendo nada sobre seus gostos, tenha certeza de que ela vai tentar procurar saber mais sobre eles, ou que, pelo menos, vai te deixar usufruir do seu espaço individual. Mas caso o seu parceiro ou sua parceira não queira assimilar um pouco dessa cultura otaku, não se preocupe, em poucos meses ele(a) no mínimo já vai saber diferenciar Naruto de Pokemon.

   Só que não é por isso que você vai particularmente ter um bom relacionamento. É por isso que muito namoro dá errado, cambada: quem vive de procurar uma pessoa "do seu tipo" só está sujeita a conhecer a parte externa da pessoa, e acho que todo mundo já tá careca de saber que ninguém nunca será melhor que ninguém por um gosto pessoal. Então por Nazarés, parem de exigir tanto dos outros, não é assim que a coisa anda. Em um relacionamento saudável, basta ter noção de que ninguém é obrigado a compartilhar os mesmos interesses pra amar alguém e pronto, metade do pepino cortado. Ou é isso:


   Que vocês desejam nos seus relacionamentos "otakus"?

   Tirando isso, sei que não é dia dos namorados, mas sempre é bom desfrutar do entusiasmo pra postar Bíblias estar quebrando algumas coisas sem fundamento que muitos otakus falam. Obrigada ao meu anjo pela sugestão de post ☚(゚ヮ゚☚) ♥~



25 janeiro 2015

Waifus e husbandos, ou...

Fiquei tanto tempo sem vocês que eu voltei pra casa assim

"Cadê meu oxigênio, cadê cadê cadê"
   Olá novamente, cambada maravilhosa! Depois desse longo período de vácuo, a necessidade de vir postar é grande!

   Estou evitando informar coisas muito desnecessárias porque eu entendo que ninguém quer ouvir repetidamente o quanto tempo eu fiquei sem postar e suas causas. Bom, depois de algumas horas vagando pelo blog, percebi que ando trazendo assuntos um pouco fora do contexto "animes, mangás e gayzisse" que eu sempre ditei como "slogan" dessa maldição, então pretendo entrar um pouco mais nesses assuntos, porque nem as artes desmotivacionais do Aoba estão funcionando mais! ಥ⌣ಥ
   Eu sempre quis falar sobre waifus e husbandos. Então vai ser isso mesmo. Acredito que seja um assunto bem interessante a se tratar, ainda que meio polêmico, então não chorem caso alguém aqui nunca tenha ouvido falar e ache que isso é coisa de transtornado mental ♥.

   Tem gente que acha que nunca vai arrumar uma namoradinha otaku cosplayer manjadora dos photoshops carne e osso, e por isso, acaba indo para o caminho da lei do menor esforço, que é apenas selecionar uma personagem aleatória que goste e bum: transformar em "esposa". Vejo outros que até adquiriram tal ato como um hobby, no qual a cada anime que vê, encontram uma waifu para adicionar na lista. Já outros, nem sei se chegam a chamar suas waifus de waifus mesmo, porque idolatram-nas tão demasiado que as personagens acabam por virarem mais deusas do que parceiras (e quanto a isso, prefiro deixar quieto!)

   Não sei desde que tempo esse lance de ter amozinho 2D começou, mas pelos meus cálculos instintivos, algo diz que isso sempre existiu e só começou a fazer mais sucesso em 2013 pra cá. Foi como uma explosão epidêmica, e ainda mais nesse mundo onde todas as esperanças de que ainda exista gente que presta decaem e chegando a ser extremamente fácil "descartar" uma pessoa por qualquer errinho ou defeito básico presente no relacionamento ou em sua própria personalidade, talvez os tais tenham sido alguns dos fatores para o número de pessoas com waifus/husbandos aumentar como coelhos. O número de mulheres que provavelmente ficarão para titia nesse mundo - a não ser que não recorram à poligamia - acabou por levar o nosso querido público feminino à essa contaminação igualmente, que agora já se satisfaz com os seus trezentos maridões. Enquanto isso, outras preferem apenas ficar na shippação entre eles, como é o caso da Mikota.

Conselho: jamais usem essa cantada
   Mas o que explicaria tal crescimento dessa massa? É carência? É a insatisfação? Seria só uma simples brincadeira?

   Como nenhum país é 100% mar de rosas, no Japão, seguido por uma conduta social "naturalmente" machista, a maioria dos homens lá ainda têm como referência de mulher perfeita Yamato Nadeshiko, um nome considerado por eles para denominar a perfeita, linda, e tradicionalmente ideal mulher japonesa com o qual eles sonham se casar. A mulher do tipo "Yamato Nadeshiko" é basicamente caracterizada por:

● ser dona de casa
● ser educada, ter postura e bons modos
● ser feminina
● prover fidelidade e devoção ao marido
● agir sempre de forma delicada, generosa e frágil 


   Ou seja, basicamente a mulher submissa que todo machista deve achar que ainda existe, né? Existia, meus caros...não mais.

   Porque ninguém é bobo nem nada, só em sonhos encontraremos mulheres dispostas a virar capachos de homens que tudo que darão a elas a vida toda é apenas uma casa e comida pra sobreviver, sem nada de amor. Pois é assim que mais ou menos sempre funcionou por lá: desde menores, as pequenas japonesinhas sonham em se tornar as melhores donas de casa para não precisarem trabalhar; portanto, para arrumarem um marido que as sustente para o todo sempre, não devem deixar de estimar por esses atributos descritos acima. Não só por causa disso, mas porque também dificilmente seria vista como digna de valor uma mulher que fala palavrões ou que provavelmente fica ouvindo BLCDs por aí como um hobby (se eu dissesse isso em público, não duvido que o povo todo iria discretamente atravessar para o outro lado da calçada). Sabe-se que os dias de hoje estão cada vez mais complicados, e com pouco japonês conseguindo manter família, torna-se quase que um milagre eles conseguirem "arrumar" uma Yamato Nadeshiko da vida. E isso sem tirar o fato de que as mulheres também querem amor, não só comida na mesa. Para fugir dessa dura realidade, bem, nada de anormal vermos cada vez mais a preferência dos men voltada para as virtuais e 2D ao invés das reais.

    Apesar de ter aqueles que apenas têm waifus/husbandos para desfrutar de sua solteirice ou como um modo de lazer absoluto da vida de otaku, vejo certas pessoas que chegam a idealizar tanto por uma waifu/husbando que viram um Jin Gyu Lee da vida. Sim, é o cara que vocês veem abaixo, que se casou com o seu dakimakura.

Sua mãe falando sobre seus gostos
   Querendo ou não, muitas vezes a Dona Verdade vende uma visão de que ter um husbando ou waifu é como tentar buscar o(a) parceiro(a) perfeito dos seus sonhos. Algo que não dá pra discordar. Se o seu sonho sempre foi ter aquele garoto lindo e perfeito que não peida 15x por dia com o qual sempre desejou, tal como a garota mais fofa do mundo e sem nenhum pelos pubianos e TPM da vida, então aqui está a sua solução: tenha uma waifu/husbando e vai que vai. Nada anormal; até porque eu tinha um husbando (lembram do Tsuna, o uke?). Mas mesmo que eu o chamasse dessa maneira, tal nome servia apenas para me referir à minha grande admiração pelo personagem. A partir do momento em que o trem vira obsessão, não tem como, isso vai me perturbar, nem que não prejudique diretamente!

   Por quê? Ora essa, chega a ser egoísta como muitas pessoas estão começando a desvalorizar a "pessoa real" porque parecem sentir a necessidade de terem alguém para pertencê-las, como um objeto de posse que deve ao tempo todo suprir suas necessidades e carência, fazendo de conta que o alvo imaginário de seus amores consente a relação. Em um mundo onde mais se exige e pouco se dá, não me surpreende tanta gente preferindo viver da idealização platônica a ter que presenciar brigas com a namorada ou aquelas crises de casamento. Às vezes, vejo pessoas dizendo que "ninguém presta", "ele(a) é sempre assim", "fulano nunca faz o que eu quero" e me dá vontade de falar pra elas que no passado, elas com certeza teriam sido donos de escravo. Mas é claro, é mais fácil você já encontrar de cara um personagem perfeito que, com certeza, nunca te decepcionará e sempre estará o tempo todo ao seu dispor e favor, do que tentar juntar os cacos de uma relação e, juntos, esforçarem-se para serem pessoas melhores um ao outro e mesmo assim entender que não existem casais perfeitos. Ou ninguém aí pensa na possibilidade de que uma pessoa pode melhorar seu comportamento? De que é possível dois seres humanos, desfrutando da inteligência, viverem em conjunto com harmonia? Ah, é, esqueci que todos almejam como máquinas gananciosas que as pessoas sempre adivinhem o que lhes agradam ou o que querem ouvir.

   Por isso mesmo, chego a duvidar do estado emocional das pessoas que levam waifus e husbandos tão a sério. Parece-me que lhes carece algo para preencher o vazio dentro deles, que desconsideram as tentativas de se adaptar à realidade de que ninguém é perfeito por conveniência ou por pura desesperança nas pessoas reais. Como compreender alguém que se vê feliz com uma idealização intangível? Suas waifus e husbandos não são, nada mais, nada menos, do que eles mesmos construindo outra pessoa a partir delas mesmas e fazendo dessa outra pessoa suas próprias marionetes, não é? É aí que eu faço aquela mágica cara de bunda e me pergunto, "que graça tem saber sempre do final do espetáculo?" Daqui a pouco todos terão um personagem a quem confiar amor verdadeiramente unilateral e vamos todos viver de fantasias, não haverá interação, ninguém vai saber o quão realizados nos sentimos com o contato físico. Se é que já não está acontecendo, pois permitam-me dizer, estamos literalmente - como Einstein citou - traçando uma geração de idiotas.

   Não estou dizendo que é proibido agora ficar maravilhada com os bíceps daquele Makotão ou sofrer de corações com o rostinho inocente da Kobeni. Mas isso, enquanto saber diferenciar a realidade da ficção.

   E se não tiver jeito de retornar o Jin Gyu Lee dentro de você, nah, fazer o quê, estou aqui apenas para dar o superconselho de que uma pessoa real pode valer por um milhão de waifus, porque nunca se sabe se você pode estar perdendo a pessoa da sua vida por uma animação que nem sabe que você existe (desculpem se isso foi cruel, não haviam outras palavras </3). E só pra não encerrar parecendo hipócrita, talvez eu nem deveria falar nada porque, na maior sinceridade, eu googlava por "garotas de anime" e ficava babando por elas quando era menor. Eu era apenas um feijãozinho em pleno crescimento mental, como eu poderia discernir minhas paixões 3d e 2d em um mundo onde pouco sabia? Por isso, futuros pais, recém-pais ou qualquer pessoa que tenha contato com crianças: se você achar que uma criança que fica babando por 2D está ficando insana, por favor, não se desesperem, isso é completamente normal. Ainda é melhor do que você recortar uma imagem do Knuckles e dormir com a figura debaixo do travesseiro. Agora sim, eu pedi pra morrer em praça pública.

   Os próprios nomes dizem:  "waifu" e "husbando" (respectivamente "wife[esposa]" e "husband[marido]" - inglês ajaponesado, nada melhor). Não é à toa que as pessoas que não compreendem muito bem o mundo dos loucos acabem pensando que os célebres donos de namoradinhas e namoradinhos de anime sejam motivo de chacota, vistos como carentes, doentes, ou até pedófilos (quem é que disse que a maioria dos homens estão buscando as waifus plotudas?). A única coisa a fazer é arcar com as críticas. Não se preocupem quanto a mim, não irei matá-los nem persegui-los, afinal, mesmo eu não pegando a mesma onda, quem sou eu pra julgar o que é melhor pra ele e pra você?

   Até que ponto posso considerar isso normal, eu não sei, mas cada louco com as suas loucuras, né? Os critérios ficam a livre gosto!



15 dezembro 2014

"Não quero engravidar!"

   "Coisa melhor pra postar?"
   "Nããããããooooo!"

    Esse post vai ser algo bem pessoal, então se você não quiser ler, sinta-se à vontade pra não ler, porque não vai mudar nada na sua vida! Mas caso você também esteja numa situação semelhante à minha e não sabe por quê, eu posso ter aqui sua resposta!

   Começando: eu penso, sim, em ser mãe - mas não engravidando. De jeito nenhum quero engravidar, muito menos, ter vários filhos! No máximo 3, um 3 bem rasinho, não passaria disso!

   Apesar de a minha vida toda ter lidado com crianças desde que eu era propriamente uma criança até essa minha fase atual, o que já me faz saber sobre quase tudo o que uma criança precisa pra ser feliz (raspar panela de chocolate escondido e jogar bexiga pra cima já são bons exemplos), a verdade é que eu nunca desenvolvi bem o "instinto maternal".

   E se existem alguns fatores que de certa forma encaixam no quebra-cabeça, existem, sim! E muitas. dentre elas a minha personalidade, a minha criação dentro de casa e as minhas experiências. Calma aí que eu vou explicar o que cada uma dessas meras palavrinhas repercutiram nessa minha decisão:

   Personalidade

    O local onde eu cresci exigiu de mim um caráter leigo em relação a religião, por isso nunca fui de pensar muito em palavras como "pai", "filho", "espírito santo", mãe, família. Quero dizer, por causa da minha irreligiosidade, acabou que os meus ângulos sobre "família" diminuíram, e eu pensava mais no termo "namorar". O meu sonho desde pequena foi assim: crescer, ser bonita, namorar um cara e sermos felizes pra sempre viajando por aí - exato, nem tinha casamento no meio, haha! Eu sempre me portei de forma indiferente ao espírito biologicamente materno de ser, como se engravidar, nah, fosse um verbo inexistente no meu dicionário. Eu via aquelas meninas fingindo que suas bonequinhas eram suas filhas, e eu pensava comigo mesma: "elas têm PROBLEMA?" (Isso, desfrutem da sinceridade de uma criança pura e inocente.)

   Desde criança, meus anseios sempre foram materalistas. É, apesar de eu sempre ter sido muito subjetiva e tal, a minha felicidade alcançava patamares mais profanos. Ficava mais feliz quando a minha mãe comprava aquele sapato pra mim do que quando eu recebia a notícia de que um parente ia vir im casa. Desculpa se isso vai soar cruel, mas aqui a verdade é verdadeira mesmo. Ainda que eu almeje ser mãe, antes passar 3 anos viajando pela Europa num cruzeiro, saltando de paraquedas e indo ao cinema e à praia com o meu queridão todo final de semana, estando à vontade pra transar na cozinha, no banheiro, em todo lugar e toda hora, do que ficar 9 meses passando mal pra depois ficar em casa trocando fralda de bebê e acordando de madrugada com o maléfico choro de bebê de 2 em 2 horas enquanto mal tenho tempo pra dar amor pro meu boy, haha! Sinto muito mesmo, mas já sentia desde que eu estava na barriga da minha mãe que um picotinho de gente chupando meus peitos não é pra mim!


   Criação doméstica

   Enquanto garotas de 11 anos pegam um bebê no colo com o maior carisma, eu se quer peguei um bebê a minha vida inteira. Enquanto as menininhas brincavam de família, de cozinhar e de cuidar de boneca, eu tava lá jogando game com meus amigos. A palavra "mãe", pra mim, só servia para vocativo, mas nunca pra mim mesma. Até quando eu brincava de boneca, eu não via minha boneca como um bebê, eu via ela como uma adolescente que morava em um mundo maluco (acredite)! Resumindo, meu comportamento nunca chegou perto de dar indícios de que eu seria uma futura mãe, até porque as minhas melhores amigas de infância também não costumavam brincar com coisas semelhantes à prática da vida materna. Eu sempre brinquei mais com game e coisas neutras e radicais que gastavam o fôlego. Acho que eu já citei uma vez pra vocês que eu agia como menino, não? E eu gostava pacas!

   Eu fui criada numa família bem zen. Naquela época, eu já poderia ser considerada uma "transição" da visão retrógrada para a visão mais aberta, quando as pessoas pararam de fazer tantos filhos pra formar aquela família monstro. E eu acredito que o tipo de família na qual você foi criada reflete significativamente no seu modo de ver o mundo. É mais questão de "estar acostumado a ver". Se você cresceu naquela típica família humilde do interior que está sempre reúnida e que todo ano a cada 7 dos seus 20 primos têm um filho, você provavelmente vai querer ter um filho no futuro também. Dois, ou três. Ou cinco, talvez. Mas se você cresceu num local mais urbano e conviveu com uma família já um pouco mais "moderada" nesses termos, quando você já está no ápice do término do sobrenome da sua família, é muito provável que você não queira ter filhos. Pode acontecer de ser o contrário? Sim, pode, mas você não pode fugir da realidade de que o meio influencia o homem, nem que uma coisinha ou outra discerne da tendência naquele ambiente em evidência.

   Agora olhem: eu fui criada numa família que já tá quase acabando, sempre convivi com pessoas que prezam mais pelos prazeres materiais e individuais da vida do que com o prazer emocional de ter um bebê ao lado e nunca teve nenhum religioso propriamente dito na minha família. Sim, a religião repercute muito nessa questão da formação de uma família, basta comparar - quem casa mais? Religioso ou não religioso? E quem tem mais filhos? Religioso ou não religioso? Só que com aquela correria que sempre é em cidade grande, fera, ninguém tem tanto tempo pra ficar rezando, infeliz seja a verdade!


   Experiências

   Quando eu ainda era mais menina, eu costumava brincar com uma prima de 3º terceiro grau minha. Ela já era grande naquela época, lá pelos 20 e alguma coisa. Ela sempre foi muito legal, gostava de brincar, correr, criar, inovar, e eu sempre adorei ela! Só que chegou aquele dia estupendo em que estava no restaurante com os meus familiares e minha prima fez a noite: ela estava grávida. Minha mãe já me empurrou falando "olha que legal, Mika!" e eu só fiz aquele sorrisão torto dos irmão, falando "que legal!". Mas só saía "que legal" mesmo, estava opaca demais pra comentar qualquer outra coisa útil. Eu juro que eu tinha ficado tão triste que tive que segurar o choro comendo peixe. Parece meio incompreensível, mas não é, eu fiquei aborrecida por saber que dali em diante ela não teria mais tempo pra brincar comigo, e que, o mais aterrorizante de todos, eu teria uma nova criança pra brincar! É muito engraçado como às vezes os adultos acham que só porque a pessoa tem cara de criança, ela curte fazer bagunça com a meninada! (notas: eu tinha uns 13 anos quando isso aconteceu.)

   Como eu era esperta. Tudo aconteceu do jeitinho que eu tinha presumido naquela noite no restaurante. Mas ok, ela continuou uma pessoa legal e não liguei muito pro fato dela agora ter uma filha, que aliás, com 3 anos, sabe falar mais corretamente que você.

   Só comecei a perceber como a gravidez sempre se tornava um empecilho pras minhas familiares queridas quando, não há muito tempo, minha prima teve um filho. Não cheguei a acompanhar todo o processo e também nunca tivemos tanta proximidade igual ao que tenho com a minha prima de terceiro grau, mas ela era bem mais íntima de mim e da minha irmã quando ainda não tinha o filho. Por mais que eu saiba que elas não têm culpa, e que nem tudo gira em torno do meu nariz como azaleias ao vento, essas experiências me fizeram cada vez mais perder as pouquíssimas chances de engravidar pois eu tenho muitos "amiguinhos" menores que eu, até mais do que eu tenho da minha idade (aí eu chego nos 30 e ainda vou ter um amigo de 10 anos, pode apostar), e sei que perderia um pouco o meu tempo pra fazer palhaçada com eles. Não gosto eeeexatamente de crianças, mas gosto de brincar. Não sei. Sinto que eu não deveria perder o pouco da criança que eu tenho dentro de mim, tanto que eu agradeço muito por tê-la ainda. Sem o pouco do meu jeito imaturo de ser, não me sinto completa, e se eu engravidasse, sentiria como se estivesse me afastando dessa criança que ainda existe em mim. Não quero ser como um "adulto qualquer", que não tem tempo pra rolar no tapete, dançar como uma banana, que enganaria os filhos pra irem brincar com as outras crianças da festa de aniversário enquanto eu só sei ficar de papo com os outros adultos conversando sobre o IPTU e o azulejo da casa. Peraí...será que eu tô bugando vocês? Se eu bugay, foi mal! (ఠ్ఠ ˓̭ ఠ్ఠ)




   Sobre o meu jeito de ver o mundo, é simples: não vejo o fato de virar mãe como graaaande coisa na minha vida. Virar mãe não é um sonho tão grandioso assim como publicar um mangá, mas estou ciente de que mães são importantíssimas em nossas vidas, são seres divinos que vieram para nos mostrar a definição de amor \`•̀益•́´/ XABLAAAAAU (ou quase sempre.)

   Mas não vejo esse processo do barrigão como parte da ordem natural das coisas. Pra mim, a ordem natural é aquela que você nem ninguém não pode mudar e impedir, que é apenas: nascer e morrer. Pra mim, essa é a ordem natural das coisas. Se você vai engravidar, se você vai trabalhar, estudar, isso é de menos, porque nem todo mundo vai ter o mesmo estilo de vida que você. E vamos combinar, né, nascer e morrer é inevitável! Uma vez vivo, você já cumpriu a primeira etapa da vida: nascer. Mas você mal nasce, e você já está predestinado a morrer, seja por vontade própria ou à mercê do tempo.

    "Mas Mika, por que você não quer ter filhos engravidando, mas pensa em adotar?"

   Antes que pessoas venham me atirar pedras, se eu tivesse um filho vindo da minha barriga e tivesse um filho adotado, eu daria amor a ambos de forma igual, isso não há dúvidas. Mas o que difere da minha aspiração por adotar uma criança de ter um filho de sangue, é que quero compartilhar minhas condições de vida com uma pessoa necessitada. Um indivíduo que é adotado, em, tipo, 90% dos casos, sente-se como se sua vida já estivesse completa. Tipo, é uma família, gente! Digo por mim: aquela criança solitária no orfanato está precisando mais de amor do que um espermatozoide pronto pra entrar no óvulo. Aquela criança no orfanato já é viva. O da minha barriga, não.

   Pense, o filho vindo da barriga já nasceria nas melhores condições de vida, feliz e cheio de amor, mas ele não pediu por isso. Porque quem quis o gozo lá dentro da mãe não foi o filho, foram os pais. Mas aquela criança ou adolescente abandonado, expulso de casa ou no orfanato, poxa, ele que tá numa hora difícil e que a única coisa que pode estar pedindo é uma família pra dar e receber amor? Não que seja o seu caso ou do dele, mas pra mim, seria muito mais bem-vindo dar amor a um ser já existente que está numa situação de carência emocional, do que a um ser que não obrigou ninguém a vir ao mundo. Sem querer parecer insensível, claro.

    Citarei então dois motivos, os que mais se destacam por eu querer um filho adotado:

1: o mundo já está cheio de gente. Não está completamente ocupado, eu sei, mas quantas pessoas o mundo já não condenou? Já não basta ver aquelas pobres crianças, nos locais mais insalubres desse planeta, sofrendo? Trabalho infantil, escravidão (pois é, infelizmente ainda existe!), desnutrição, por que ninguém tenta tirar essas pessoas de lá? Tipo, vamos cuidar de quem tá vivo ainda!

2: Seguindo a linha de raciocínio acima, quero mostrar a essas pessoas que exteriormente parecem "já não ter mais solução", que há uma solução, sim. Que o mundo não é tão cruel quanto parece. Posso não ter muito do instinto materno, mas tenho um outro instinto que fala mais alto: o de ajudar.

   Eu juro, não tem nada, mas NADA mais gratificante pra mim do que ajudar uma pessoa, fazer alguém feliz. Pessoas felizes me fazem felizes. E por isso quero adotar. Não preciso necessariamente ter o sangue do meu filho pra poder amá-lo, pois genes são o que menos importam aqui.

   O meu objetivo de ser mãe ainda está passando por moderação, porque, por favor, sou jovem demais pra pensar nessas coisas. Eu pensando em ser mãe é a mesma coisa que uma criança de 4 anos pensando que faculdade vai cursar. Mas o que me faz querer adotar filhos não é o desejo de completar a casa, de parecer uma família do tipo propaganda de margarina e muito menos pra sair me gabando por aí que vou ganhar presente no segundo domingo de maio. Admito que essa possibilidade só passou pela cabeça quando eu comecei a descobrir mais sobre adoção homoparental - isto é, nem faz meio tempo!

   Acontece que comecei a ver vários vídeos sobre casais gays que adotaram e achei muito lindo. As palavras me emocionaram, e pensei, "deve ser bom ter uma família", até que eu comecei a tentar ver mais o lado gracioso de formar uma família, coisa que tantas pessoas admiram. Mas ainda é certo, criar uma família não é um sonho sólido, é um sonho rarefeito meu. A qualquer momento pode ser que eu desista da ideia. Porque você deve saber, ser mãe não é fácil não, é tipo uma junção de monitora de festa de aniversário de criança com aquela melhor amiga com quem você pode contar a toda hora. E eu tenho paciência para ambas as tarefas, sei brincar com crianças e adoro dar conselhos. Mas juntar as duas coisas? Difícil, gente!

   (Mas ainda tem outros motivos de eu não querer engravidar. Bem fúteis. Tipo, eu não quero parecer uma baleia azul na piscina! ;w;)

   Mas aqui, se você quer mesmo engravidar porque acha que é uma parte importante de você, ou porque seu sonho desde criança foi sentir como é ter um ser vivo dentro de você, ótimo, engravide, não é como se você estivesse automaticamente ligando um "foda-se" para aquelas crianças morrendo na Etiópia. Se você tem a convicção de que quer ter um filho de sangue, é porque você, com certeza, tem lá os seus motivos. Mas tem gente que não quer engravidar, e também por motivos.
"Ah, mas isso não soa meio...egoísta?" Ser egoísta não é fazer com que pessoas estéreis que querem engravidar se sintam mal enquanto você "descarta a sua fertilidade". São nesses casos que se pode recorrer à barriga de aluguel ou à inseminação in vitro.

   Caso você não queira ter filhos, nenhunzinho mesmo, ótimo também. Não deixe que a sociedade te esprema como limão só porque por você, como mulher, não quer fazer parte da onda de mommies. Tem gente que acha que ter filhos dentro de casa não são a perfeição do mundo. Mas animaizinhos de estimação, sim.

   Enfim, talvez eu tenha a habilidade pra ser mãe, mas não aquela vontade. Quem saiba eu mude de ideia com o tempo, nada nessa vida é realmente certo. Digo, ainda tá muito cedo pra eu ficar pensando nisso! Até parece que aqui virou blog daquelas mãezinhas adocicadas, caramba 눈_눈 (nada contra), então vai pra lá, ideia de ter família! 

   Ah, sim, ontem (15/12) foi o dia internacional do Otaku, não? Estava até indo fazer uma homenagem com o pouco dos meus rabiscos, mas não tenho muito ainda, então vou deixar essa pra depois! xD Obrigada por ler essa coisa meio desnecessária~