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25 janeiro 2015

Waifus e husbandos, ou...

Fiquei tanto tempo sem vocês que eu voltei pra casa assim

"Cadê meu oxigênio, cadê cadê cadê"
   Olá novamente, cambada maravilhosa! Depois desse longo período de vácuo, a necessidade de vir postar é grande!

   Estou evitando informar coisas muito desnecessárias porque eu entendo que ninguém quer ouvir repetidamente o quanto tempo eu fiquei sem postar e suas causas. Bom, depois de algumas horas vagando pelo blog, percebi que ando trazendo assuntos um pouco fora do contexto "animes, mangás e gayzisse" que eu sempre ditei como "slogan" dessa maldição, então pretendo entrar um pouco mais nesses assuntos, porque nem as artes desmotivacionais do Aoba estão funcionando mais! ಥ⌣ಥ
   Eu sempre quis falar sobre waifus e husbandos. Então vai ser isso mesmo. Acredito que seja um assunto bem interessante a se tratar, ainda que meio polêmico, então não chorem caso alguém aqui nunca tenha ouvido falar e ache que isso é coisa de transtornado mental ♥.

   Tem gente que acha que nunca vai arrumar uma namoradinha otaku cosplayer manjadora dos photoshops carne e osso, e por isso, acaba indo para o caminho da lei do menor esforço, que é apenas selecionar uma personagem aleatória que goste e bum: transformar em "esposa". Vejo outros que até adquiriram tal ato como um hobby, no qual a cada anime que vê, encontram uma waifu para adicionar na lista. Já outros, nem sei se chegam a chamar suas waifus de waifus mesmo, porque idolatram-nas tão demasiado que as personagens acabam por virarem mais deusas do que parceiras (e quanto a isso, prefiro deixar quieto!)

   Não sei desde que tempo esse lance de ter amozinho 2D começou, mas pelos meus cálculos instintivos, algo diz que isso sempre existiu e só começou a fazer mais sucesso em 2013 pra cá. Foi como uma explosão epidêmica, e ainda mais nesse mundo onde todas as esperanças de que ainda exista gente que presta decaem e chegando a ser extremamente fácil "descartar" uma pessoa por qualquer errinho ou defeito básico presente no relacionamento ou em sua própria personalidade, talvez os tais tenham sido alguns dos fatores para o número de pessoas com waifus/husbandos aumentar como coelhos. O número de mulheres que provavelmente ficarão para titia nesse mundo - a não ser que não recorram à poligamia - acabou por levar o nosso querido público feminino à essa contaminação igualmente, que agora já se satisfaz com os seus trezentos maridões. Enquanto isso, outras preferem apenas ficar na shippação entre eles, como é o caso da Mikota.

Conselho: jamais usem essa cantada
   Mas o que explicaria tal crescimento dessa massa? É carência? É a insatisfação? Seria só uma simples brincadeira?

   Como nenhum país é 100% mar de rosas, no Japão, seguido por uma conduta social "naturalmente" machista, a maioria dos homens lá ainda têm como referência de mulher perfeita Yamato Nadeshiko, um nome considerado por eles para denominar a perfeita, linda, e tradicionalmente ideal mulher japonesa com o qual eles sonham se casar. A mulher do tipo "Yamato Nadeshiko" é basicamente caracterizada por:

● ser dona de casa
● ser educada, ter postura e bons modos
● ser feminina
● prover fidelidade e devoção ao marido
● agir sempre de forma delicada, generosa e frágil 


   Ou seja, basicamente a mulher submissa que todo machista deve achar que ainda existe, né? Existia, meus caros...não mais.

   Porque ninguém é bobo nem nada, só em sonhos encontraremos mulheres dispostas a virar capachos de homens que tudo que darão a elas a vida toda é apenas uma casa e comida pra sobreviver, sem nada de amor. Pois é assim que mais ou menos sempre funcionou por lá: desde menores, as pequenas japonesinhas sonham em se tornar as melhores donas de casa para não precisarem trabalhar; portanto, para arrumarem um marido que as sustente para o todo sempre, não devem deixar de estimar por esses atributos descritos acima. Não só por causa disso, mas porque também dificilmente seria vista como digna de valor uma mulher que fala palavrões ou que provavelmente fica ouvindo BLCDs por aí como um hobby (se eu dissesse isso em público, não duvido que o povo todo iria discretamente atravessar para o outro lado da calçada). Sabe-se que os dias de hoje estão cada vez mais complicados, e com pouco japonês conseguindo manter família, torna-se quase que um milagre eles conseguirem "arrumar" uma Yamato Nadeshiko da vida. E isso sem tirar o fato de que as mulheres também querem amor, não só comida na mesa. Para fugir dessa dura realidade, bem, nada de anormal vermos cada vez mais a preferência dos men voltada para as virtuais e 2D ao invés das reais.

    Apesar de ter aqueles que apenas têm waifus/husbandos para desfrutar de sua solteirice ou como um modo de lazer absoluto da vida de otaku, vejo certas pessoas que chegam a idealizar tanto por uma waifu/husbando que viram um Jin Gyu Lee da vida. Sim, é o cara que vocês veem abaixo, que se casou com o seu dakimakura.

Sua mãe falando sobre seus gostos
   Querendo ou não, muitas vezes a Dona Verdade vende uma visão de que ter um husbando ou waifu é como tentar buscar o(a) parceiro(a) perfeito dos seus sonhos. Algo que não dá pra discordar. Se o seu sonho sempre foi ter aquele garoto lindo e perfeito que não peida 15x por dia com o qual sempre desejou, tal como a garota mais fofa do mundo e sem nenhum pelos pubianos e TPM da vida, então aqui está a sua solução: tenha uma waifu/husbando e vai que vai. Nada anormal; até porque eu tinha um husbando (lembram do Tsuna, o uke?). Mas mesmo que eu o chamasse dessa maneira, tal nome servia apenas para me referir à minha grande admiração pelo personagem. A partir do momento em que o trem vira obsessão, não tem como, isso vai me perturbar, nem que não prejudique diretamente!

   Por quê? Ora essa, chega a ser egoísta como muitas pessoas estão começando a desvalorizar a "pessoa real" porque parecem sentir a necessidade de terem alguém para pertencê-las, como um objeto de posse que deve ao tempo todo suprir suas necessidades e carência, fazendo de conta que o alvo imaginário de seus amores consente a relação. Em um mundo onde mais se exige e pouco se dá, não me surpreende tanta gente preferindo viver da idealização platônica a ter que presenciar brigas com a namorada ou aquelas crises de casamento. Às vezes, vejo pessoas dizendo que "ninguém presta", "ele(a) é sempre assim", "fulano nunca faz o que eu quero" e me dá vontade de falar pra elas que no passado, elas com certeza teriam sido donos de escravo. Mas é claro, é mais fácil você já encontrar de cara um personagem perfeito que, com certeza, nunca te decepcionará e sempre estará o tempo todo ao seu dispor e favor, do que tentar juntar os cacos de uma relação e, juntos, esforçarem-se para serem pessoas melhores um ao outro e mesmo assim entender que não existem casais perfeitos. Ou ninguém aí pensa na possibilidade de que uma pessoa pode melhorar seu comportamento? De que é possível dois seres humanos, desfrutando da inteligência, viverem em conjunto com harmonia? Ah, é, esqueci que todos almejam como máquinas gananciosas que as pessoas sempre adivinhem o que lhes agradam ou o que querem ouvir.

   Por isso mesmo, chego a duvidar do estado emocional das pessoas que levam waifus e husbandos tão a sério. Parece-me que lhes carece algo para preencher o vazio dentro deles, que desconsideram as tentativas de se adaptar à realidade de que ninguém é perfeito por conveniência ou por pura desesperança nas pessoas reais. Como compreender alguém que se vê feliz com uma idealização intangível? Suas waifus e husbandos não são, nada mais, nada menos, do que eles mesmos construindo outra pessoa a partir delas mesmas e fazendo dessa outra pessoa suas próprias marionetes, não é? É aí que eu faço aquela mágica cara de bunda e me pergunto, "que graça tem saber sempre do final do espetáculo?" Daqui a pouco todos terão um personagem a quem confiar amor verdadeiramente unilateral e vamos todos viver de fantasias, não haverá interação, ninguém vai saber o quão realizados nos sentimos com o contato físico. Se é que já não está acontecendo, pois permitam-me dizer, estamos literalmente - como Einstein citou - traçando uma geração de idiotas.

   Não estou dizendo que é proibido agora ficar maravilhada com os bíceps daquele Makotão ou sofrer de corações com o rostinho inocente da Kobeni. Mas isso, enquanto saber diferenciar a realidade da ficção.

   E se não tiver jeito de retornar o Jin Gyu Lee dentro de você, nah, fazer o quê, estou aqui apenas para dar o superconselho de que uma pessoa real pode valer por um milhão de waifus, porque nunca se sabe se você pode estar perdendo a pessoa da sua vida por uma animação que nem sabe que você existe (desculpem se isso foi cruel, não haviam outras palavras </3). E só pra não encerrar parecendo hipócrita, talvez eu nem deveria falar nada porque, na maior sinceridade, eu googlava por "garotas de anime" e ficava babando por elas quando era menor. Eu era apenas um feijãozinho em pleno crescimento mental, como eu poderia discernir minhas paixões 3d e 2d em um mundo onde pouco sabia? Por isso, futuros pais, recém-pais ou qualquer pessoa que tenha contato com crianças: se você achar que uma criança que fica babando por 2D está ficando insana, por favor, não se desesperem, isso é completamente normal. Ainda é melhor do que você recortar uma imagem do Knuckles e dormir com a figura debaixo do travesseiro. Agora sim, eu pedi pra morrer em praça pública.

   Os próprios nomes dizem:  "waifu" e "husbando" (respectivamente "wife[esposa]" e "husband[marido]" - inglês ajaponesado, nada melhor). Não é à toa que as pessoas que não compreendem muito bem o mundo dos loucos acabem pensando que os célebres donos de namoradinhas e namoradinhos de anime sejam motivo de chacota, vistos como carentes, doentes, ou até pedófilos (quem é que disse que a maioria dos homens estão buscando as waifus plotudas?). A única coisa a fazer é arcar com as críticas. Não se preocupem quanto a mim, não irei matá-los nem persegui-los, afinal, mesmo eu não pegando a mesma onda, quem sou eu pra julgar o que é melhor pra ele e pra você?

   Até que ponto posso considerar isso normal, eu não sei, mas cada louco com as suas loucuras, né? Os critérios ficam a livre gosto!



25 novembro 2014

Don't Hug Me. I'm Scared

   Estou completamente sem ideias. Então desculpa aí.

   Sabe aquela hora que você tá tão trepado na internet que, de repente, sem nem mesmo perceber, você acaba indo parar no lado mais estranho da internet? Se sabe como é esse sentimento, então seja bem-vindo a esse mundo!


   Não é como se eu não tivesse coisa melhor pra falar, mas como eu realmente não tenho, acho que é sempre bom dar uma descontraída pra admirar trabalhos novos. Ainda mais quando há algumas semanas, minha "irmãzoka" me mostra essas coisas estupendas só na espera de me traumatizar. No final, tudo que acabou acontecendo é o contrário: viciei!

   A maconha da qual estou falando dessa vez é "Don't Hug Me. I'm Scared" (Não me abrace. Estou com medo), uma série de vídeos virais do youtube que tem como propósito "dar as mãos e juntos entender". Ou algo assim.

   Basicamente, todos os vídeos dessa série consistem em musicais de caráter infantil, com a participação de puppets - bonecos controlados por marionetistas ou atores vestidos de bonecos animados - sempre em cima de prosopopeias (personificação de seres inanimados ou não-humanos). Esse projeto foi fundado em 19 de Junho, e seus criadores, Becky e Joe, já atraíram milhões de olhares com esse pouco tempo.

   À primeira vista, você acha que é só mais um teatrinho destinado a crianças que rolam aí pelo youtube. Porque, realmente, parece a coisa mais pura do mundo. Até você ir assistir o vídeo...

   Tá, tô exagerando demais no suspense! Mas, no fundo, será que não tem um toque mais "além" do que apenas "maconha" nesses vídeos?

   A verdade é que tem, sim. Se você no mínimo prestar um pouco mais de atenção, o fato dos finaizinhos dos vídeos de DHMIS sempre terem cenas "fortes" ou sem sentido não é por acaso. Ou você acha mesmo que os produtores fizeram isso com a intenção de ser só mais um vídeo nada a ver? Ninguém mais tem tanto tempo assim pra gastar com bobeiras, não, haha!

Não sei quem fez isso, mas agradeço muito.
   O que tem por trás desses vídeos loucos pode não estar explícito, mas eles já dão pistas o suficiente pra você conseguir juntar um pouco as partes do quebra-cabeça. Cada vídeo retrata uma "matéria da vida", como eles dizem, e que não tem como foco principal a intenção de divertir ou traumatizar qualquer pessoa, mas sim, de fazer uma crítica. Simples críticas sobre o mundo, do ponto de vista humano. Muitos não consideraram uma boa essa de utilizar um "meio infantil" pra, na verdade, oferecer conteúdos de temas mais maduros, mas eu particularmente achei essa ideia muito "creative"! Até porque, apesar da aparência desses vídeos enganar os pobres pais que provavelmente colocam proteção de família no computador e que só deixam os filhos usarem o paint e a internet pra fazer trabalhinho de escola, só quem manja dos métodos de divulgação e publicidade manja. Ou seja, além de ser um projeto inteligente, os produtores usaram técnicas inteligentes.

   Pra não deixar ninguém só lendo e lendo e lendo e não ver nada, eu trouxe os 3 vídeos da série pra vocês. E eu gostaria de deixar vocês raciocinarem por si próprios sobre quais críticas eles estão fazendo, porque mesmo parecendo que eles não têm sentido, eles fazem, e muito! Só cuidado pra não pensarem que, porque a música é toda colorida e os cenários cheios de pirlimpimpim, você vai ver coisas agradáveis dos primeiros até os últimos minutos. Se você não é daqueles que gostam muito de coisas nonsense ou um pouco pesadinhas, eu recomendaria não ver.



  

   Eu acho que muitos vão boiar, então para bom aviso, estou sabendo que tem legendado, mas aí é só vocês procurarem (nada a ver com pouco esforço da minha parte, imagina). Mas pra quem sabe e entende de inglês, nem que seja aquele basicão, é extremamente fácil entender as falas e o musical vídeo, apesar de ser inglês britânico, com o que a maioria não está acostumada.

   Fechando o tópico, todos esses vídeos exploram realidades distorcidas dentro da nossa sociedade. Como vemos acima, temos vídeos criticando profundamente sobre criatividade, tempo e religião, respectivamente. Parecem coisas difíceis de explicar, ainda mais quando isso está oculto num teatrinho de puppets completamente esquisito, mas tomem base essas três palavrinhas acima e tentem interpretar os vídeos. E esse é o DHMIS, transformando seus míseros 5 minutos em uma hora inteira pra refletir um pouco sobre o nosso mundo.

   "E esse é o melhor lugar pra falar sobre isso?" É, acho que não, mas se tratando de tentar abrir os olhos das pessoas para o que o ser humano é capaz de fazer com a realidade...talvez! ¯\_(ツ)_/¯